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RH - UMA REFLEXÃO POLÍTICA
“ Sem polícia , nem a milícia , nem feitiço, cadê poder?
Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter...”
Milton Nascimento

Outro dia, zapeando os canais de TV, acabei assistindo uma interessante entrevista do Frei Beto.
Nela, o Frei Beto comentava sobre o período em que esteve preso, durante a fase da ditadura, revelando que se valeu em alguns momentos de estudar e “dar aulas” na cadeia.
As aulas eram ministradas para turmas imaginárias, ele mentalizava a sala, os alunos e lecionava filosofia.
Esse recurso era por ele utilizado para cuidar do que chama de “a louca da casa”.
E sabem quem é a “louca da casa?.

É a mente !
Segundo o mesmo, o que enlouquece os presos é justamente a mente, os processos mentais...

Fiquei refletindo sobre essa intrigante colocação, e sobre o que pode fazer a mente, ou “a louca da casa”, estejamos presos ou não.
”Estou aqui, mas gostaria de estar ali, estou ali, mas gostaria de estar acolá”.
Quantas vezes nos pegamos nessa situação?
(E olhe que isso não é muito diferente de estar “preso...”).
Doar-se ao momento presente, prestar atenção, é o grande desafio do ser humano.

Pesquisas francesas revelam que passamos 70% do tempo vivendo o passado, 25% vivendo o futuro e só – pasme! 5% vivendo o presente.

A louca da casa, do Frei Beto, veio definir com precisão o cuidado que devemos ter com as armadilhas e dualidades da mente, cuidar e educá-la.

Diz o Lama Padma Samtem, que todo o ensinamento do Buda resume-se a:

“Fazer o bem, não criar sofrimento e dirigir a própria mente”.
E de novo, olha ela aí... Dirigir a própria mente é não ficar refém da “louca da casa...”.

Esse é um belíssimo e grande desafio, um enorme exercício, sem o qual não há riqueza ou paraíso que sossegue, caso a “louca” continue desgovernada.

Dei uma parada na elaboração deste artigo e, durante essa parada, tive acesso a um maravilhoso texto de Osho, chamado “Os sete vales”.
Numa prova inequívoca de que conectamos com o que estamos sintonizados, destaquei do texto o seguinte parágrafo para confirmar a tese sobre o nosso personagem principal (a mente).

... “E a mente espera e vigia - se alguma oportunidade surgir, ela imediatamente saltará e tomará posse de você. Ela tem sido o seu mestre, você tem agido como um escravo. A mente não pode aceitar que você tenha se tornado um mestre assim tão de repente. Leva tempo.
... Todas as histórias sobre o demônio nada mais são do que histórias sobre a mente”.
De Frei Beto a Osho, passando pela pesquisa francesa e pelo Budismo, encontramos uma mesma “placa de sinalização” nesse caminho: Cuidado com a mente!

Ampliar a consciência( “o inconsciente é um bosque sombrio”), buscar a auto-responsabilidade, autocura e auto-amor, parecem ser instrumentos para educar a mente, quem sabe fazer com que ela mostre o melhor de si e trabalhe a nosso favor.

 

 




AntôniAo Luiz Amorim
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