- “Quem gostaria
de falar com o Sr. Garcia?”.
- Amorim!
- “De onde, Sr. Amorim?”.
- !!!!!!!
- Ah! Da minha casa, mesmo...
Certa feita ouvi um depoimento de
um colega, que jamais esqueci: “Eu já tenho tempo para
me aposentar, mas não vou fazer isso agora”. Tenho
medo de que aconteça comigo o mesmo que aconteceu com vários
amigos, que caíram na bebida, na depressão, perderam
a identidade...
No diálogo acima, um caso real, motivo de
risos quando conto em apresentações de Workshops sobre
o tema objeto desse artigo. Sempre vejo os participantes rirem muito
e contarem as suas experiências sobre o que chamo de “sobrenome
jurídico”.
No mundo em que existia emprego formal em quantidade
maior do que nos dias atuais (e futuros...), o “sobrenome
jurídico” era incorporado com orgulho e quase apego.
José da Empresa Tal e Qual!
Quanto maior a empresa maior o orgulho e a entonação
da voz.
O sobrenome já vinha junto na identificação
por telefone, nos contatos comerciais...
A coisa era tanto que até hoje, as secretárias,
atendentes, perguntam: Senhor Fulano de qual empresa? De onde?
Há exatos seis anos, deixei o meu “sobrenome
jurídico” e passei a viver o mundo do EU S/A. Negociei
com a empresa a minha saída, prestei consultoria para eles
por um tempo e atuando em parcerias, passei a ter a minha atuação
focada no Desenvolvimento Organizacional e Transformação
Humana.
Quando brinquei com a secretária do meu amigo
Garcia, o da ligação acima, o fiz conscientemente
e talvez já guardasse material para esse artigo.
Lembro ainda do meu diálogo com um Diretor
Superintendente, após a minha promoção para
Gerente Administrativo de duas empresas. Disse-me ele em tom cuidadoso:
“Agora, que você é Gerente...”.
Ao que, sem perder a oportunidade, tomei o cuidado
de “demarcar o terreno”: Desculpe-me, mas prefiro acreditar
que, agora que estou Gerente...
Não entendi qual a diferença?
Penso que aquilo que alguém pode me tirar
eu não sou , eu estou.
Creio que ali, eu começava a suprimir o sobrenome
jurídico da minha vida...
Ainda sobre essa fase, costumo contar sobre um aniversário
meu, o primeiro comemorado na minha gestão como Gerente.
Foi inesquecível! Uma grande mesa, frutas,
lanches, bolo, velas e parabéns. Vários colegas de
várias áreas da empresa. Parabéns para mim!!!
Para mim?
Não. Não era para mim. Era no mesmo
dia do meu aniversário, mas aquela festa não era para
mim.
Era para o ocupante do cargo. Era para o Gerente!
Saí da festa consciente disso. Afinal, eu
já estava na empresa há 14 anos e nunca tinha visto
algo parecido.
Tudo isso foi apenas para introduzir o tema Projeto
de Vida.
Sim, existe vida sem “sobrenome jurídico”.
Algumas, poucas, empresas já começam
a dar atenção a essa nova etapa da vida dos seus colaboradores.
É uma atitude de respeito ao ser humano que
passou grande parte da sua vida lá dentro.
É uma forma de mostrar aos que estão
chegando que a “laranja não vai ser chupada e o bagaço
jogado fora”, tem semente a ser plantada.
Estatísticas mostram a elevação
do tempo de vida do brasileiro.
A vida vai continuar, ou melhor, a vida vai começar
de novo. Prepare-se!
O ser humano é o único equipamento
que nasce sem manual, mas agora está na hora de você
escrever o seu próprio manual.
Algumas sugestões, para constar do seu Projeto
de Vida:
- Comece admitindo a hipótese de que você
foi e é responsável por tudo que lhe acontece –
desde as pessoas até as situações que você
vive. Você as escolheu.
- Liste os seus prazeres favoritos
- Escolha um para ganhar dinheiro – prazer,
missão, dinheiro podem estar relacionados.
- Pense nas pessoas que poderão estar com
você nesse projeto (nenhum homem é uma ilha).
-Reconheça e liste as suas qualidades, escolha
as favoritas.
-Escreva uma meta para seu corpo, espírito,
intelecto, social, para gozar a vida.
-Descubra o propósito da sua vida, o sentido
da sua existência.
- Some talento com paixão pelo que você
vai fazer nos próximos anos da sua vida!
Outro dia, ao terminar um Workshop sobre Projeto de Vida, recebi
dois “presentes” de dois participantes e que certamente
ficarão na “galeria de troféus”.
Disse um deles, numa sessão de depoimentos
espontâneos: “Professor, depois de tudo que eu vi e
trabalhei aqui, o Diabo nunca vai encontrar a minha mente desocupada”.
Outro disse: “Quero pedir uma salva de palmas
para a nossa empresa por essa iniciativa. Entrei preocupada, depressiva,
com medo da aposentadoria, mas saio cheia de confiança em
mim”.
Ter confiança em si é ter auto-estima
elevada, se sentir importante, competente e ter amor próprio.
Com isso, dá até para esquecer que
algum dia você teve um “sobrenome jurídico”.
Ta certo, Jose?
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