Os bons restaurantes costumam convidar os seus clientes a visitarem as suas cozinhas. Outros chegam mesmo a deixá-las expostas ao público, através de um vidro. Essa atitude sempre me chamou atenção...
Passa, certamente, uma grande credibilidade e confiança aos seus clientes, na medida em que eles expõem as suas “entranhas”, mostram transparentemente o que ocorre lá dentro, antes dos pratos chegarem às mesas para consumo.
Numa metáfora da cozinha dos restaurantes com a “cozinha” das Organiza ções, existe uma pergunta que não quer calar: Quantas Organiza ções podem, de fato, convidar os seus clientes a conhecerem as suas “cozinhas”?
Por uma cozinha de uma Organiza ção é possível entender as suas relações internas.
Como são tratados os seus funcionários, colegas e clientes? Que clima predomina no trabalho?
As relações internas são “tóxicas”?
Para motivar a sua equipe, é preciso contratar um profissional de fora?
O domingo à noite é um trauma semanal para aquele que lembra da segunda-feira de trabalho?
Como são as relações de abertura e confiança entre os componentes naquela empresa?
O Consultor e Psicólogo americano, Will Schutz, constatou que “nas Organiza ções a falta de abertura leva à enorme ineficácia e redução da produtividade”.
Como você se sentiria ao entrar na cozinha de um restaurante e ouvir ou perceber que os profissionais que ali trabalham estão tensos, desmotivados, agressivos entre si e que demonstram não suportar o ambiente do restaurante ou o seu chefe?
Teria coragem de ingerir o alimento produzido por eles?
Nunca esqueço o que ouvi de uma funcionária de farmácia, que ao me atender e “pensando alto”, disse ao olhar para o relógio que estava na parede e marcava 9:20pm – “Hoje dá 11hs mas não dá 10hs!”.
Esse é o chamado “tempo psicológico”- aqueles 40 min restantes para o horário da sua “libertação” iriam durar uma eternidade...
Confúcio dizia que “goste do que faz para não precisar trabalhar”.
No trabalho em equipe, não basta gostar apenas do que se faz (ou da atividade). É fundamental que a sua auto-estima esteja bem trabalhada e que você goste como , também diz o Schutz , “da pessoa que você é, quando está com o outro”.
E isso, certamente, a gente só consegue ver dentro da “cozinha”.
Dizer que você é importante e não lhe incluir nas decisões que lhe afetam e nos assuntos que você conhece, é de fato considera-lo importante?
Fazer um discurso e citar a sua competência, mas ficar o tempo todo lhe cobrando de algo que você sabe fazer e tem responsabilidade é de fato considerá-lo competente?
E quanto ao querer bem? Você sente que o outro se preocupa com você? Ele quer saber como você está? E lhe conta sobre ele?
Depois de ter passado dezesseis anos cuidando das finanças das empresas e oito cuidando da gestão de pessoas, nesses últimos sete anos, já como Consultor Organiza cional, pude estudar e freqüentar as “cozinhas” das Organiza ções.
Não há dúvidas de que o lucro é sempre o subproduto.
O subproduto de algo bem feito!
E não há como “fazer bem feito” e obter resultados sustentáveis, sem passar pela qualidade nas relações.
Uma das matérias que tenho dado aulas em Faculdades é “Comportamento Organiza cional” – um neologismo.
Não existe “Comportamento Organiza cional”, como digo aos meus alunos - o que existe é comportamento humano.
Comportamento humano, ou as suas necessidades, são de: Inclusão , Controle e Abertura, como nos mostra o Will Schutz em sua brilhante obra “O Elemento Humano”.
Os comportamentos, acima, geram sentimentos de: Importância , Competência e Bem-Querer .
Esses são os ingredientes usados na receita das relações humanas.
Uma boa cozinha deve estar aberta a que os seus clientes vejam como se dá essa composição.
Com certeza, ele estará comprando o resultado de tudo isso. |