NA MÍDIA

Rede de relacionamento é o caminho do emprego
Pesquisa revela que indicação de amigos é a principal forma de recrutamento

SARA BARNUEVO

Marcelo Santos tentou por dois anos entrar no mercado de trabalho. Estudante de sistemas de informação, na Faculdade Rui Barbosa, Marcelo só conseguiu uma vaga por indicação de um amigo, que o encaminhou ao diretor de uma empresa da área de transportes de mercadorias, em Pirajá. Durante oito meses, Marcelo trabalhou na área de informática da companhia, onde garante que aprendeu muito. “Só decidi sair porque precisava estagiar numa empresa da minha área”, destaca Marcelo, reconhecendo a importância que a indicação teve no seu caso.

Exemplos como o de Marcelo são comuns no mercado de trabalho brasileiro. Uma pesquisa do Grupo Catho realizada com 17.801 profissionais, no mês passado, revela que o “QI” (Quem Indica) cresceu em importância nos últimos três anos. Segundo o levantamento, 48% dos entrevistados conseguiram seu último emprego, entre 2004 e 2005, por meio de indicação.

Engana-se quem pensa que o QI funciona principalmente para posições de presidência ou direção. Segundo a pesquisa, a indicação é maior nos cargos operacionais, na faixa salarial inferior a R$ 2 mil. Neste grupo, o QI foi responsável por preencher 55,88% das vagas, enquanto que, para os cargos de mais destaque, o índice foi de apenas 25,33%, mostra a pesquisa, que apontou a internet como a segunda fonte de recrutamento de profissionais, com 11,57% das contratações.

BEM-ACEITO – Embora não seja o único fator determinante de uma contratação, a cultura brasileira absorve muito bem o chamado QI, destaca o consultor de empresas Antonio Amorim, acentuando que, desde que o candidato tenha competência e experiência, a indicação funciona de forma positiva.

“Se estou precisando de alguém e essa pessoa vem por indicação de um conhecido, isso é bom porque significa uma referência”, acentua Amorim, ressaltando, entretanto, que é a capacidade profissional do candidato que vai determinar sua permanência ou não na empresa.

“Excetuando-se os casos de ingerência política, uma recomendação adequada, baseada numa relação de confiança – seja pessoal ou profissional, qualifica o candidato”, acentua o consultor, que é também vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-BA).

NETWORKING – Presidente da Catho e coordenador da pesquisa, Thomas Case observa a importância da rede de contatos como caminho para se conseguir um emprego. Mesmo quem está inserido no mercado deve manter ativo o networking, “que é algo muito valioso”, ensina Case.

Alimentar a rede é fundamental, completa o vice-presidente da ABRH-BA. “A melhor forma de arrumar um trabalho é ter trabalho”, diz Amorim, ressaltando a importância de manter os contatos mesmo quando se está empregado. “Não espere estar fora do mercado para formar seu networking. Mantenha-se sempre em evidência”, aconselha.

Os consultores alertam, contudo, para a forma de pedir um emprego ou manter a visibilidade. “Evite fazer abordagens diretas”, diz o presidente da Catho. Ele observa que este tipo de comportamento pode levar a outra pessoa a se sentir como que assaltada. Use métodos mais sutis, como solicitar dicas, informações e sugestões para seu currículo.

“Bom senso” é a palavra de ordem para Antonio Amorim. “Não fique panfletando-se o tempo todo. Identifique a melhor oportunidade para entregar um cartão de visita ou um currículo”, diz o consultor, dando algumas dicas para evitar restringir a rede de relacionamentos a parentes, amigos ou ao vizinho de bairro. “Participar de associações e até realizar trabalhos voluntários são um bom caminho para aumentar o networking”, revela Amorim.

Aumente sua rede:

. Tenha sempre em mãos cartões de visita ou um folder com a descrição de seus serviços

. Converse com quem já está no seu ramo há mais tempo

. Participe de uma associação de classe ou de grupos sociais

. Identifique parceiros que complementem as suas competências

. Faça trabalhos voluntários. Faz bem ao espírito e amplia a rede de relacionamentos

. Aumente a sua visibilidade: crie um banco de contatos e alimente-o com notícias, artigos ou serviços da sua competência

. Participe de grupos virtuais, que possibilitem trocas de informações e divulgação de suas habilidades





Antônio Luiz Amorim
Consultor associado a